RGYC adota regra da IRC para regatas

Publicado por Mirela Pinho
Em:

A IRC é uma regra de classificação que permite que diferentes projetos de barcos de oceano possam participar da mesma regata. A regra destina-se a uma gama muito ampla de barcos de todos os tamanhos e formas, desde os barcos de cruzeiro produzidos em série e os cruiser-racers (barcos de cruzeiro cujo projeto é moderno e veloz) até os barcos one-off de regata, desenhados exclusivamente para alto-desempenho, passando por modelos clássicos e tradicionais.

 

O RGYC liderou um movimento junto aos demais Clubes da zona Sul que culminou com a mobilização dos Comandantes mais entusiasmados em regatas na região, totalizando a adesão de 25 Veleiros à nova fórmula.
A flotilha do Rio Grande Yacht Club (RGYC) já passou pelo medidor Francisco de Paula Bastos de Freitas e está pronta para correr regatas com a nova regra aguardando apenas a emissão dos certificados pela própria organização IRC.

 

O gestor da área náutica do RGYC, Ari Soares Lima, nos explica os benefícios da regra, como são realizadas as medições e como influenciará nas próximas regatas
Conheça mais sobre a IRC e também a expetativa do gestor da área Nautica do RGYC em relação à regra IRC.

 

1) Como a regra do IRC influencia nas próximas regatas do RGYC?

A IRC é uma regra por adesão. Os barcos quando querem participar de regatas, participam na classe de monotipos ou veleiros de oceano. A de monotipos é quando os barcos são iguais, não só quanto ao casco mas também quanto ao tamanho do mastro, vela e regulagem. Exemplos dessa classe é o laser, optimist e o soling. Os monotipos são exatamente iguais e o que diferencia é o velejador. Já os veleiros de oceano são barcos diferentes e é preciso que haja uma forma justa para que eles possam competir a mesma regata. Por possuírem velocidades distintas além do mastro e da vela também serem diferentes, o conjunto de regras da IRC vem atender de uma forma mais abrangente a classe de oceano.

Para competirem na IRC há itens avaliados de cada veleiro. O barco é pesado com os itens básicos e fixos que estão nele. Mede-se a linha d’água, leva-se em consideração o calado e o formato da quilha e também o tamanho das velas. Então a partir dessas informações o sistema gera um número que é o TCC. Esse coeficiente é multiplicado pelo tempo no final de cada regata. Um exemplo é o barco grande que chega com 20 minutos na frente de um barco menor. Os barcos largam ao mesmo tempo e cada um vai terminar dentro de um tempo diferente . A comissão de regata irá calcular o tempo que o barco levou para percorrer aquele trajeto e irá multiplicar por esse coeficiente. Quando é multiplicado pelo TCC, o tempo real de regata de cada barco, corresponderá a um novo tempo e quem faz esse percurso no tempo menor corrigido é o que ganha a regata.

 

2) Como é definido esse tempo?

O tempo corrigido de regata é o tempo real multiplicado pelo índice que o barco tem a partir da regra que ele optou correr e isso vale para ver quem ganha a regata. O Fita azul é quem chega em primeiro, independente do tamanho, chegou em primeiro na geral.

No passado, tínhamos duas classes a IMS e a RGA. A IMS foi substituída pela ORC. A RGS ainda continua no Brasil , e esse movimento de mudança da RGS para a IRC é um movimento espontando a partir de uma organização de cada clube ou de interesse próprio do dono do barco.

 

3) A IRC é vista com bons olhos pelos regateiros ?

A IRC é uma regra mais fácil de ser compreendida onde os barcos são bonificados pelas melhorias que são feitas para se obter uma maior velocidade. Um exemplo é que na RGS o barco que tinha uma vela de um material chamado “kevelar” era penalizado e na IRC isso não ocorre.

 

4) Existe um prazo para os clubes começarem inserir em suas regatas a IRC?

Não existe um prazo para mudança, essas mudanças são feitas pela própria organização da IRC, que criaram a regra e com o tempo vão adaptando melhor a regra devido a evolução dos barcos nesses últimos anos.O objetivo é abranger o maior numero de barcos, então a regra é modernizada para que os barcos antigos possam correr com os barcos mais novos, modernos e velozes.

 

5) Como enxergas a IRC?

É uma regra que tem se mostrado de bastante sucesso no mundo e no Brasil também. Quanto mais barcos tivermos nessa regra mais divertido será a brincadeira, já que serão mais veleiros na raia.Existe um movimento que acontece hoje no RS. A zona sul já possui aproximadamente 29 barcos medidos além de mais vinte e poucos em POA. A flotilha do RGYC já está sendo medida pela regra IRC e já possuímos um numero bastante significativo. Isso faz com que as regatas tenham mais barcos e isso torna o evento mais interessante. A regra possibilia que os os comandantes possam correr a semana de Buenos Aires, Punta del Este, já que o certificado vale para correr no mundo inteiro.

 

6) A IRC seria uma obrigação ao RGYC para se equiparar as regatas internacionais?
Não é uma obrigação, mas acredito que o RGYC ficaria para trás no sentido de não poder realizar regatas com barcos que estão medidos pela regra da IRC. Existe um movimento de velejadores aderindo a IRC, visto o crescente numero de barcos que participam da regra e isso vale para as regatas internacionais.

 

7) Em relação a regra antiga, o que mudou? Como enxergas os benefícios?

A regra IRC é mais simples de se entender no sentido de que são poucos os itens que são medidos e ela não penaliza os donos de barcos que querem equipar os seus barcos com melhores equipamentos. Enquanto que em outras regras era penalizado o velejador que realizasse melhorias no seu barco e possibilita moldar no teu barco do jeito que achas mais interessante para que ele ande mais. A regra estimula que o seu barco tenha mais desempenho.

 

8) Como são realizadas as medições no RGYC?

As medições são muito simples. Os barcos foram pesados, também foi medida a linha dágua, calado e formato de quilha. Depois medimos as velas, as três maiores velas, a grande, genoa, o balão. Medimos as velas maiores que são apenas essas três, para termos o tamanho da área velica. Assim, é colocado no sistema e é gerado o número, o TCC.

 

9) Ari, és tu medidor oficial? Se não, quem é pelo RGYC?

Não. Realizei um acompanhamento das medições com o medidor oficial. Mas a experiência serviu como um treinamento e me interessei bastante para me tornar um medidor. Não existe um medidor oficial do RGYC, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano(ABVO) que destina os medidores aos clubes. Se um dia me tornar medidor da IRC, não poderei medir o meu barco e nem o barco de um concorrente.

 

10) As alterações na Regra do IRC já serão aplicadas na próxima regata, que será o Circuito Tecon?

No Circuito Tecon será aplicado três regras. A Cruzeiro, que é livre e não há medição, geralmente composta por velejadores que desejam realizar o percurso e não são muito regateiros. Terá a IRC e também a RGS, já que ainda existe muitos barcos ainda por essa regra.

 

11) A regra é só para os barcos de oceano? A RGS e a Cruzeiro entram?

As regras da IRC podem ser aplicas a qualquer barco,inclusive um barco pode ter duas ou três medições de regras diferentes. Por exemplo, se eu tenho um barco e quero correr na classe cruzeiro, eu posso mas sei que a cruzeiro é quem chega na frente . Então, posso correr com um barco maior que será muito difícil chegar na frente dele. Na RGS também. Já na IRC, já foram medidos 26 barcos.Ainda temos mais barcos para a medição, e todos já tinham a medição da RGS. Agora queremos ver como será com a regra da IRC nas próximas regatas pois acreditamos que essa regra será mais justa a todos.

 

12) Com toda tua experiência na área como a nova regra se torna inclusiva?
Acho que a regra é bastante inclusiva pois ela permite que qualquer barco possa ser medido. Não é necessário ter um barco de regata com os melhores materiais, velas, já que tudo será levado em consideração na hora de emitir o certificado de medição. Então a regra é muito abrangente. O velejador que investe no barco tem um desempenho melhor. Acredito que a regra por possibilitar que diferente modelos de barcos e tamanhos possam correr na mesma regra, ela se torna inclusiva.

-0:23

Comentários

comentários