Velejada ao Paraíso Ecológico

Publicado por MOBI - Agência Digital

Estando eu com saudades dos lugares maravilhosos  que velejamos ,pensei em uma coisa que meu velho pai sempre dizia: ” navegar é muito bom mas que navegar, descansar e desfrutar só mesmo no São Gonçalo”. Que lugar! onde não nos preocupamos com  os ventos e temporais. É um abrigo maravilhoso, em qualquer lugar do Canal do São Gonçalo, expecialmente o paraíso da Ilha Grande com seu perfume adocicado… quando se adentra a parte mais estreita deixando a ilha a boreste quem entra barrancas; com uma bela paisagem e de quebra tem um lugar em especial que eu adoro ficar antes do quebra-bunda.

Tem uma figueira grande e o lugar limpo para colocarmos as cadeiras e montar a churrasqueira ,para um bom assadito , ou uma fritada de traira regado ao um bom vinho branco… olhando nosso barquinho faceiro na beira do canal .Porisso inveitei de sair numa sexta feira dia 20 de abril para retornar ou domingo ou segunda, já que não da vontade de retornar ao mundo real, urbano, ehehehe.

Convidei o amigo Otaviano para mais essa empreitada. É Claro minha mulher Maria Teresa, sem esquecer do fiel escudeiro Pinguinho e lá fomos na sexta feira ,com um belo dia de sol e um ventinho amigo para colaborar.
Saimos  de Rio Grande as 10: 30 horas com um ventinho meio de proa mas orçando o suficiente para chegar ao diamante, sendo que depois folga um pouco. Ai fica dez na altura do Canal do Setia rondou mais para leste, beleza iamos como Deus mandava,  entrando a barra de Pelotas a gente começa a sentir o cheiro de campo ,de mato ,e fica sonhando com nossa subida pelo canal sempre tendo momentos belissimos para contar e relembrar que coisa boa.
Na altura do arroio Pelotas chamamos o Saldanha da Gama para saber se estava funcionando tudo ao contento, tanto a barragem como a ponte ,embora na Quinta fiz questão de ligar para o Saldanha pedindo informações. Estava tudo bem ,ai ligamos o motor na lenta e seguimos nosso tranquinho até a barragem; passamos pelo porto de Pelotas e vimos que tinham um navio atracado é sinal que estão trabalhando isso é muito bom.
Chegando a barragem paramos a margem direita do lado do Rio Grande para fazer hora e passar na barragem das cinco horas,  o Otaviano foi  tirar umas fotos e o pinguinho seu tradicional pit-stop e esticar suas patinhas.
Quando chegou as cinco saimos direto, a barragem  já estavam aberta nos esperando. Saindo do outro lado levantamos as velas e seguimos sem motor, naquele silêncio que só o São Gonsalo oferece e nossos ouvidos agradecem. Com o ruido da cidade e da estrada ficando ao longe que maravilha… Anoitecemos fazendo um happy-hour no cockpit com um bom vinho do amigo Otaviano,  sempre com algo bom para acompanhar lógico… com um bom violão para iluminar a noite e um papo muito legal.
Chegamos no Pavãozinho eram vinte uma e trinta minutos.  Uma noite belissima com um ventinho de encomenda e a lua depois que chegamos saiu com toda a sua força, iluminando a água e os campos. Sábado pela manhã recebemos a visita do rapaz que cuida os campos mora na casa na boca do Pavãozinho muito legal o rapaz e a familia.
Saimos dali a vela eram nove horas,   entramos pelo lado pequeno da ilha das Moças.  Estava com pouca água resolvemos passar pelo lado externo ,seguimos até o Piratini e fomos entrar no Contrabandista e tambem muito baixo, não quis arriscar… O São Gonçalo está baixo.
Ai seguimos em diante até a Ilha Grande, lá não tem problema de água baixa e as barrancas são fundas até a margem, um belo atracadouro . Assim que chegamos montamos um acampamento, com cadeiras,  churrasqueira para um belo churras embaixo das árvores. A noite saiu um peixe frito ali mesmo e uma fogueira para espantar os mosquitos, mesmo com frio os danados tem a “hora do ataque” .
A noite foi muito boa, não fez frio e muito  calma . Domingo amanheceu e não tinhamos vontade de retornar ,embora sabiamos que a tardinha teria chuva e para segunda um vento de proa para Rio Grande. Assim mesmo arriscamos,  saimos em torno de dez horas e começamos o retorno pensando em dormir em Pelotas e na segunda fazer o retorno a Rio Grande .
Navegando de regresso a Pelotas antes da volta do Liscano tem uma casinha bem humilde perto da margem e iamos só a vela em proa, passamos pertinho estava sentado a margem um casal novo ela com uma criança de colo,  ele me perguntou se tínhamos um pouquinho de açúcar para ceder a eles. Ficamos engasgado só deu para dizer espere…que  vamos baixar as velas e chegar ai .
Baixamos as velas e ligamos o motor, enquanto eu tentava chegar perto da margem que era baixa a Maria Teresa fez um ranchinho para eles e como o barco ficou afastado um metro deles, o amigo Otaviano alcançou para eles com a ponta do pau de espinaker. Ficaram muito agradecidos e nós muito felizes, com o coração aquecido de poder ajudar. Em um lugar daqueles onde tudo é difícil e que de todas as vezes que passei por lá nunca ninguém me pediu nada, para chegarem a pedir imagino como estariam precisando.
Sei que a Maria Teresa deu até xampu para a moça que ficou louca de contente. Saímos dali com a alma lavada  por poder alcançar um pouquinho para  quem  realmente estava precisando.
Chegamos a barragem faltava cinco minutos para abrir, assim que passamos caiu uma chuva forte e muitos raios. Chegamos no Saldanha com chuva e choveu bastante até tarde. Na segunda saímos com o tempo nublado e vento sul para Rio Grande. Apesar de tudo fizemos uma bela viagem, sem chuva e com um sol meio tímido mas presente, chegando ao clube como se tivessemos vindo de um spa tranquilos e com um gostinho de quero mais.
Estou de obras na casa mas assim que terminar queremos ir a Tapes e Porto Alegre para tirarmos o stress da construção ehehhe… e que venham outros stress para eu me “acalmar”  velejando, desfrutando dessas águas do Sul.
  • Comandante Newton Ribeiro

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